segunda-feira, janeiro 02, 2006

Meu Primeiro Computador Pessoal

Foto: David Leo

Bem, não exatamente...

Ao final do primeiro ano da faculdade, eu estava fascinado com computadores e arranjei um estágio no IPT. Como mandava a tradição, no primeiro dia me puseram numa mesa com um manual de COBOL para estudar. Algum tempo depois (acho que em 1979) o IPT adquiriu um Cobra 400.

O Cobra 400 era uma máquina esquisita, cuja tecnologia a Cobra adquiriu de uma empresa americana (anos mais tarde a Cobra re-projetaria o hardware e o software adotando o nome Cobra 400 II). Embora fosse às vezes mencionado como um mini-computador, o Cobra 400 era na realidade um sistema de data entry capaz também de executar aplicações. Internamente usava um microprocessador de 8 bits (Intel 8080) com 64 Kbytes de Ram. Suportava até oito terminais (o do IPT tinha 4), cada um com uma tela de 8 linhas de 64 colunas (mapeadas nos 64K de Ram). O armazenamento era num HD de 10 Mbyte (o disco tinha o diâmetro aproximado de um LP), controlado por um outro 8080.

Afora uma linhagem estranha (TAL II), mais voltada para programas de entrada de dados, o Cobra 400 tinha também um compilador Cobol. A primeira versão do Cobol (Level 1) era tão fraca que não tinha nem ELSE no IF e só permitia operação batch (sem interação com o usuário via terminal). A segunda versão era bem decente.

Durante os primeiros meses, a máquina era usada apenas para estudos e frequentemente a tinha só para mim (daí ser o meu primeiro "computador pessoal"). Mais adiante começou a ser usado parte do tempo para digitação e parte do tempo para o desenvolvimento de um sistema (cuja estória fica para outro dia).

Mesmo assim, ainda sobrava algum tempo para brin^H^H^H^Hestudar. O meu ponto alto foi a adaptação para o Cobra 400 de um programa em BASIC. Embora a escola usasse cartões nos cursos, já existiam alguns terminais de vídeo na USP e no IPT. Por alguns dias tivemos acesso ao B6700 e conhecemos o jogo (Colossal Cave) Adventure. Quando perdemos o acesso, ficou a vontade de jogar este tipo de jogo. O número de Dezembro de 1980 da revista Byte foi dedicado a jogos e trazia a listagem completa do jogo "Pirate's Adventure" de Scott Adams. A listagem era em BASIC, para o micro TRS-80. Após uma trabalhosa engenharia reversa, consegui re-escrever o programa no Cobol do Cobra-400 e jogar o jogo até o final.

Como disse Scott Adams no iníco do artigo da Byte, time flies.

8 comentários:

Alexandre Martins Araujo disse...

[xyz w] !
[abc x] !


/xyz w
ACP 001 F/EQ/' '/*ER1;
GTO 002 1;
ER1 MVE 003 'EU AMO O TAL II'
PUT 004 F/1/3;
/abc x
RTJ 001 F/0;
PUT 005 RS/4/1;
WRS 006 D2;

END;

Era incrível o que podia ser feito
com 64Kb de memória e um disco de 10MB

Procuro fotos dessa máquina há um tempão, old times, good times...

Saudações

Alexandre Martins Araujo

Daniel Quadros disse...

Eu também estava com dificuldade para achar uma foto do Cobra 400, mas um dos nossos clientes tem esta reliquia exposta. Coube ao me sócio pagar o mico de pedir permissão e tirar a foto.

Anônimo disse...

Vou jogar isso no http://www.meuprimeirocomputador.com
hehehehehe

Humberto Monteiro disse...

run batch 1 arquivo 3 /mt

Unknown disse...

O fabricante era Sycor.

RUN FIXNAR S

Anônimo disse...

de 1 prog 3 arq
r batch 1 arq 3 /mt
Ve 1 prog 2 arq
R fixnar c1
Reconf 1,2,3,4
r cobol 2 fonte 3 prog
r comp

Bons tempos, tudo era alegria, dormia-se pouco,aprendia-se muito.
sentia-se e era valorizado.

Afonso Souza disse...

Meu primeiro emprego, após me formar no CEFET-RJ, foi na Cobra Computadores. Isso foi em 1984, na comemoração de seus 10 anos. Eu era técnico de manutenção e trabalhei durante um bom tempo com o Cobra 400. Além da linguagem TAL II, tinha o MUMPS também (tão poderoso quanto esquisito). Bons tempos em que posicionávamos a cabeça de leitura/gravação na trilha zero com o dedo (!!!) para formatar o Mini Disco... Nem tenho como descrever como vejo o desenvolvimento tecnológico de lá pra cá...
Obrigado por resgatar uma imagem desta máquina que, com seu hardware modesto para os dias atuais, controlou a automação de empresas enormes (dentre elas, Furnas).

Vivaldo Júnior disse...

Caro Afonso Souza, fomos colegas nessa época, lembras?
Tal como o Afonso, eu também era técnico de manutenção na Cobra, no inicio eu tinha tanta raiva de programação que nem me dava o trabalho de testar os equipamentos que consertava, cheguei a ser chamado a atenção por baixa produtividade, era porque eu consertava (e produzia muito), mas repassava a outro colega pra testar e liberar. Decidido a aprender programar pra vencer a raiva, comecei com a linguagem MUMPS no Cobra 400, cansado de suas limitações, resolvi experimentar o Basic, por pouco tempo também, dei uma passadinha rápida pelo DBase II e finalmente me apaixonei pelo Clipper, este sim, perdurou por bastante tempo até o fim do MS DOS. Eita nostalgia!!!!